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Era uma vez na Anatólia

À primeira impressão, “Era uma Vez na Anatólia”, aparenta uma normal (?!) investigação criminal nas estepes turcas.

Viaja-se em ambiente nocturno e masculino, erraticamente, na busca de um cadáver escondido. A escuridão e a imensidão do espaço transforma a investigação num espaço de intimidade em que vão surgindo algumas confidências e memórias que nos mostram um pouco do interior de cada um.

Com o passar dos longos minutos, longos e lentos,  começa a perceber-se que a busca de um corpo é um pretexto. Um pretexto para colocar como denominador comum, a todas as personagens masculinas que embarcam nesta viagem lúgubre, as mulheres. A forma como as mulheres nos tratam, como nos marcam e como para elas olhamos.

A viagem pelo deserto, pelas memórias e pelas angustias vai revelando a forma implacável como a beleza da mulher assalta um homem, a dureza maternal com que nos tratam as esposas, a forma violenta como por vezes procuram vingar as suas dores, a disciplina férrea com que preservam os seus segredos e a forma melancólica e doce com que se esculpem nas memórias masculinas.

Um belo filme que só se revela plenamente algumas horas depois de terminada a sessão.

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Uma forma rápida e bastante eficaz de voltar a ser chacoteado como nos tempos da escola:

combinar uma clássica aversão a protector solar com uma exposição solar alienada à estupidez.

 

Fim do Euro da bola

Podemos voltar a falar de futebol?

Nota: com o triunfo da Espanha chega também a vitoriazeca moral à Lagarto; “Só fomos eliminados pelo Campeão da Europa.”

Momento importante aquele em que percebemos que o primeiro perdão tem de ser de nós para nós.

O mais difícil e longo relacionamento que temos na vida é connosco. Não estando esse relacionamento salutar, dificilmente poderá haver um relacionamento com mais alguém.

 

Idas ao divã (I)

Amar é fácil, saber ser amado é que é um berbicacho.

Fins, começos e reinícios

Passaram dois anos desde a chegada ao fim da linha do “Gota”.

Nestes dois anos aconteceram milhentas coisas incríveis e memoráveis. Estas milhentas coisas, embora ausentes deste espaço, estão assentes em inúmeros suportes. De todos estes suportes, o mais importante é a memória.

A memória é aquilo que nos ajuda a projectar o que somos e quem queremos ser. Diz-nos a história – a nossa, a dos outros e até de forma mais lata a história da humanidade – que quem não consegue lidar com a memória dificilmente poderá viver sem sobressalto o seu futuro e a sua construção. A memória ensina.

Uma das coisas que conduziu também a este regresso foi a revisita de todo o conteúdo do que por aqui foi escrito anteriormente. Essa visita na história reavivou alguns momentos que ajudam a perceber a evolução e a transformação da pessoa que eramos e somos hoje. Essa memória, e essa história, apazígua e serena, porque ajuda a perceber onde se andou, o que se atravessou e porque se chegou aqui a este momento.

Bem, na verdade, o que conduz a este regresso é a dificuldade que a idade do escriba coloca na manutenção da memória. Quando se caminha para a idade ganha-se muita coisa, mas a capacidade física e mental, essa, vai fugindo quase sem avisar.

Como os tipos que gerem aqui os hemisférios responsáveis pelos arquivos já adormecem mais vezes, o melhor é mesmo ir documentando toda esta experiência que é a vida num suporte mais seguro e de consulta rápida.

Porque, contrariamente ao que dizem algumas canções, podemos voltar a ser felizes onde já o fomos.

Sejam bem vindos novamente.

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Fim da linha

O final de um blogue pode ser anunciado com um longo discurso de agradecimento e com a reflexão do percurso do que por aqui foi aparecendo durante um ano e meio.

Também pode ser anunciado de uma forma mais curta, concisa e lapidar.

A opção é a segunda.

Este blogue fica por aqui.

Adeus e obrigado.

Synecdoche, New York

O próximo Domingo vai ser um dia emocionante e vibrante.

Não sei se feliz – o Braga também poderá ser um justo campeão.

Sei que pelas 20:00 estarei emocionado. Lágrima no olho.

Campeão, ou não, haverá algo certo. Orgulho por sentir esta camisola.

Obrigado Benfica.

Fim-de-semana


Persistência da frouxidão

Há alguns anos que estou inserido no mercado de trabalho. Passei por empresas que forneciam serviços distintos e que actuavam em áreas de negócio distintas umas das outras. Vivi a pequena empresa – quase familiar – que se está a lançar no mercado, a multinacional que age sem concorrência em áreas especificas de negócio e o gigantesco conglomerado nacional com milhares de colaboradores.

Embora neste percurso tenha transitado por organizações tão distintas nas suas formas e nos seus propósitos, existem algumas particularidades que são comuns a todas elas.

Uma delas causa-me – se calhar vai causar sempre  – algum pasmo. As pessoas que pairam pelas organizações sem que saibamos muito bem o que fazem por ali. Existe uma classe de pessoas que parece passar pelos dias sem obrigações, sem responsabilidades e sem afazeres. Passam os dias pelos sites dos jornais desportivos, a zelar por avatares virtuais nos FarmVille e quejandos online, e junto às máquinas do café a contar graçolas. Não há ninguém a quem prestem contas ou apresentem resultados, talvez porque – pasmo novamente – não haja ninguém que exerça algum tipo de chefia e exija esses resultados.

O contacto que tenho tido com “colaboradores” deste tipo não faz deles uma regra. São claramente a excepção. Mas à medida que vamos conhecendo organizações de maior dimensão, percebemos também que o número de pessoas que pairam nesse regime vai aumentando proporcionalmente. Para uma organização, o custo operacional de uma pessoa que tem como única função estar presente é enorme. O pagamento de um vencimento a quem não exerce as funções por persistência de frouxidão é imoral para quem recebe e devia afligir quem paga.

Sem produtividade e sem resultados há quem se vá perpetuando nas organizações. Muitas vezes até vão progredindo nas hierarquias.

Decalcando para um retrato mais generalizado das endemias lusas vemos que esta forma de estar é tradicional.

Há quem vá ficando pelas sombras uma e outra vez, e ao fim de algum tempo vai ficando por ali. Com o passar do tempo, alija-se das tarefas que lhe competiam. Entretanto a orgânica dos processos vai distribuindo esse trabalho, que  vai ficando por fazer, para outras pessoas ou outros departamentos.

Palpita-me que um dia destes voltarei a esta temática.

FarmVille

Factos inevitáveis

O 32º título do Benfica está para as expectativas dos Benfiquistas como a chegada do FMI para o País.

Ambos vão chegar. Só falta saber em que semana.

Fim de noite

Fim-de-semana

26

Carris pondera nova carreira entre Benfica e Campo Grande.

O “clássico” dos “clássicos” joga-se hoje.

Hábitos – a mudança

Consta que um dia Charles Dickens terá dito que “O homem é um animal de hábitos”.

O “hábito” é uma zona de segurança e de conforto. Ajuda a manter a ordem e a previsibilidade. Permite o controlo da variáveis e controlando as variáveis controlamos a surpresa, o esforço e a aleatoriedade.

Podem existir diversas mudanças que alterem muitos dos hábitos instituídos na vida. Ainda assim, parece-me que a modificação que pode conduzir à maior alteração de hábitos é uma mudança de emprego.

Com uma mudança de emprego deixámos de repetir os exercícios mentais diários aos quais habituámos os nossos neurónios durante anos. Embora isso  acabe por ser irritante – quando pensamos que a repetição se faz por defeito e de forma meio estupidificante – percebemos também que esses mecanismos servem para pouparmos tempo e energias.

Muitas das rotinas são alteradas numa mudança de emprego. A hora de despertar, os percursos, as tarefas, os colegas, os almoços, a disponibilidade temporal. Para uma pessoa se adaptar a tudo isso precisa de criar novos hábitos e novas rotinas. Perceber qual a sua posição, perceber as afinidades com os novos colegas, aprender novos modelos de negócio. Muitas transformações ocorrem e para correspondermos às expectativas que nos são depositadas é preciso responder de forma adequada a todas as novas variáveis. Energicamente e mentalmente é díficil de gerir.

No dia em que os hábitos estiverem instalados e assimilados e em que todas as novidades se transformem em  processos mecanizados será, provavelmente, o dia em que devemos começar a pensar mudar todos estes hábitos novamente.

Saída/Entrada

O final de um percurso laboral numa determinada organização comporta sempre algumas expectativas e alguns receios.

As expectativas vão para a adaptação às novas funções, novos colegas, novas tecnologias e novas metodologias de trabalho.

Os receios vão para a nostalgia da despedida, para a forma como as pessoas podem reagir à saída de um colega mas, sobretudo, pela marca que deixamos após vários anos de trabalho.

O desvanecer dos receios chega com  o aproximar do dia da partida. Os telefonemas mais institucionais dos clientes desejando felicidades, as abordagens na máquina do café procurando saber a próxima paragem, as reacções aos emails que dão conta da partida. Na reacção a esses emails, não deixa de surpreender, as boas reacções que chegam de franjas de uma organização, com alguma dimensão, que dão boa conta da imagem que deixamos para trás. Isso é gratificante.

Mas aquilo que é mesmo gratificante é perceber, ali nos momentos finais, que não deixámos ex-colegas para trás. Ao longo destes anos, ganhámos amigos.

Obrigado a todos.

Semana Santa no Sardoal

Foto por Pedro Sousa

Memórias

Se um velho atalho fosse o caminho certo há muito que seria uma estrada principal.

Foto por Pedro Sousa

Celebrações e tradições religiosas levam os católicos da Semana Santa à Páscoa

(com uma pequena referência à Vila)

#3

Cassius – Cassius 1999 Remix (Radio Edit)

O final da década 90 do século passado projectou diversos projectos franceses em múltiplas áreas dançantes e dançáveis. Dessa época, diversos hinos electrónico-festivos ficaram no trânsito das memórias sonoras. Muitos desses nomes -Daft Punk, Air, Laurent Garnier, Dimitri Of Paris, St. Germain, Etienne de Crécy, Alex Gopher – criaram o movimento que ficou conhecido por French Touch.

Esta escolha representa a deferência por esse período da história – todos os hinos da electrónica francófona que ficaram no ouvido e que ainda hoje parecem actuais. Músicas com um forte apelo dançante, festivo, reutilizando referências funk e soul de décadas anteriores e talhadas com enorme bom gosto.

Há músicas que nos fazem querer estar em festa. Esta é uma delas.

Dimitri Of Paris