Category: Filmes


Moonrise Kingdom

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O mais divertido, terno e mágico filme dos últimos tempos. Moonrise Kingdom é uma colecção de postais ilustrados que relatam aquela história de amor infantil que todos desejávamos ter vivido.

Era uma vez na Anatólia

À primeira impressão, “Era uma Vez na Anatólia”, aparenta uma normal (?!) investigação criminal nas estepes turcas.

Viaja-se em ambiente nocturno e masculino, erraticamente, na busca de um cadáver escondido. A escuridão e a imensidão do espaço transforma a investigação num espaço de intimidade em que vão surgindo algumas confidências e memórias que nos mostram um pouco do interior de cada um.

Com o passar dos longos minutos, longos e lentos,  começa a perceber-se que a busca de um corpo é um pretexto. Um pretexto para colocar como denominador comum, a todas as personagens masculinas que embarcam nesta viagem lúgubre, as mulheres. A forma como as mulheres nos tratam, como nos marcam e como para elas olhamos.

A viagem pelo deserto, pelas memórias e pelas angustias vai revelando a forma implacável como a beleza da mulher assalta um homem, a dureza maternal com que nos tratam as esposas, a forma violenta como por vezes procuram vingar as suas dores, a disciplina férrea com que preservam os seus segredos e a forma melancólica e doce com que se esculpem nas memórias masculinas.

Um belo filme que só se revela plenamente algumas horas depois de terminada a sessão.

O Laço Branco

Um filme distinto é assim. Óptimas representações, uma direcção artística de excelência e um retrato de época que é um valor acrescentado cultural e intelectual.

Uma exposição sociológica da Alemanha rural do início do século XX, que mostra como nasce o mal e como se manifesta das formas mais inesperadas e a partir dos originadores mais improváveis. Tudo embrulhado num pacote que aduz as diversas transformações sociológicas e económicas que ocorreram no pós-guerra 1914-1918.

Altamente recomendado.

Nas Nuvens

“Nas Nuvens” poderia ser um grande filme. Não é!

Depois de um genial retrato social e das relações entre pessoas em “Juno”, Jason Reitman fez marcha atrás e alijou no argumento e na sagacidade.

A base de construção do filme é muito interessante. A forma como a crise económica gera novas oportunidades de negócios – desumanas é certo – e de que forma essa actividade e tudo o que lhe é inerente pode lançar uma pessoa em confrontações filosóficas consigo mesma. Aquilo que pretendia ser um tratado de solidão nos tempos em que as diversas redes globais nos ligam a milhões de pessoas, fica pífio no exacto momento em que  não se percebe a escolha por uma vida solitária do protagonista – na prática toda a duração do filme.

Paralelamente, muitos dos momentos mais “marcantes” do filme surgem de partos difíceis – forçados, desadequados, desenquadrados. Visitas românticas ao liceu. Um papel com a morada da “amante de viagens” que afinal tinha família e não queria ser descoberta. Um discurso motivacional ao futuro cunhado que, na dúvida da concretização do casório, muda de ideias com meia dúzia de banalidades. Então e a personagem vai ao casamento da irmã na sua cidade e não encontra nenhum amigo da juventude?

São pequenos pormenores mas na riqueza dos pequenos pormenores se fazem as grandes obras.

Clooney cumpre em serviços mínimos. O resto do elenco apresenta-se desobrigado e sem grande vontade de dar espessura às personagens.

O filme não desmerece uma ida ao cinema numa matiné de Domingo mas está bem longe das expectativas que se apresentam.

Avatar

Desde o início da difusão generalizada do cinema, que muito da evolução tecnológica de ponta teve como incubadora o cinema e os avanços  das suas técnicas de produção. De tempos a tempos, surgem essas obras que apresentam evoluções técnicas e redefinem conceitos e patamares de qualidade.

Longe de ter uma história brilhante – e com um argumento incapaz de fugir a um punhado de lugares comuns –  Avatar vale pelo aparato tecnológico e pelas novas técnicas de cinema digital que introduz. É provavelmente o filme visualmente mais espantoso do Cinema. Só isto faz com que seja merecedor de um visionamento.

Uma nota final a melómanos: a sonoplastia e banda sonora é bastante trivial, longe de cavalgadas orquestrais à “Lord of The Rings” ou composições sinfónicas “à la” John Williams. Acaba mesmo com uma cançoneta da Céline Dion, no momento em que fica a porta aberta para um Avatar 2. Isto é coisa para não augurar nada de bom para a sequela…

District 9

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Desde os primeiros minutos estilhaçam-se uma série de estereótipos de filmes quejandos a este.

A aparição dos seres alienígenas dá-se fora dos grandes terminais de chegadas inter-planetárias (Nova Iorque, Londres, Washington) e coloca uma gigantesca nave espacial sobre Joanesburgo. O aspecto dos seres é revelado de supetão, sem grande gestão de expectativas da aparência tenebrosa revelada às pingas. Os aliens circulam ao sol e sempre com grande proximidade de plano.

Nos minutos iniciais o estilo documentário de apresentação da estória leva a alguma demora na percepção do que se vai passar a seguir. Depois disso a acção é escorreita e em vários momentos existem pequenos volte-faces que nos fazem ajeitar na cadeira.

District 9 é uma experiência cinematográfica interessante. Cria uma história de tensões sociais entre raças inter-planetárias. Lança a questão, de forma metafórica, da exclusão e isolamento de quem se diferencia de nós e de como isso a breve trecho se transforma um problema do todo e não só de uma parte excluída.

A determinado ponto da estória é feita a humanização dos aliens a um nível que se calhar não se via desde o ET (embora sem o mesmo grau de fofice). O herói (ou será anti-herói?) tergiversa nas intenções sucessivamente, o que deixa sempre em aberto aquilo que se vai seguir nos próximos minutos.

A história merecia outro deselance. O final é chocho. Finalizar com um humano convertido em alien a fazer um trabalho de filigrana foi um bocadito bacoco. E claro está, ficaram todas as directrizes lançadas para um District 10. Para uma sequela de um filme deste tipo, não sei se será lá muito bom auspicio…

Sinédoque

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Sinédoque: É a substituição de um termo por outro, em que os sentidos destes termos têm uma relação de extensão desigual (ampliação ou redução).

A caminho da percepção da finitude da vida fomos entregues a um jogo de fractais emocionais, a caleidoscópios de memórias, e de múltiplas peças de um puzzle entregues de forma cronologicamente dispersa e anárquica.

O eterno dilema das esperas. A espera de quem nunca mais chega. A espera da redenção. A espera do perdão. A espera do reconhecimento. A espera da felicidade.

O eterno problema do ser. Viver aquilo que não somos. Sentir aquilo que não sentimos. Não ter coragem para enfrentar os nossos erros e arrependimentos. Ser só.

O eterno problema das memórias. Viver com saudades. Viver com vontade de regressar. Viver com vontade de partir. Viver com vontade de deixar.

O eterno problema das decisões. Relembrar opções. Relembrar escolhas. Relembrar conversas. Recordar viragens e inflexões.

Passaram duas horas. Naquela cadeira do cinema estava alguém meio amarfanhado. Quase embaraçado por sentir a sua pequenez intelectual exposta sem apelo. Mas tendo a perfeita noção de que passaram tantos pequenos pormenores ao lado que em breve terá de se dedicar a novos visionamentos.

Há experiências assim. Que nos pegam e envolvem, baralham e voltam a dar. E quase, quase, nos põe à beira de revelações e nos fazem perceber tudo isto. A Vida… e tudo aquilo que devemos fazer com ela.

Trailer

Grandes peixes

Porque há grandes histórias, grandes emoções, grandes aventuras e grandes finais.

E este é um grande final para um grande filme.