Category: Comidas


De 24 de Fevereiro a 6 de Março

Anúncios

Adega do Saraiva

As melhoras descobertas são quase sempre as inesperadas. Sobretudo quando não esperamos que os padrões de gulodice sofram uma redefinição. Quanto a isto já lá vamos…

O lugar do crime é em Nafarros. A Adega Saraiva, casa de pasto familiar e de recepção afável, conserva longa tradição nos pratos de Bacalhau e Cabrito, assados. Embora somente a carga sobre o Bacalhau possa ser avaliado nestas considerações, a fama não é desmerecida. Se batatas assadas com pele acompanhassem o fiel amigo na assadura no lugar de insonsas batatas cozidas estaríamos próximos de algo superlativo. Fica a compensação do azeite fervido com alho, onde se embeberam muitas sopas de pão – traça da região Oeste mas confecção algures pela serrania sintrense.

Não é expectável, embora na verdade não hajam regras para estas coisas, que no almoço dominical se redefinam padrões de gulodice. Maior parte das vezes maltratado, o Pudim Molotof aparece amiúde em cartas de sobremesas por este país fora. Não poucas vezes, os Molotof  apresentam-se desmaiados com creme de ovo confeccionado em dias anteriores e inconsistência textural. Bastou o primeiro impacto da colher para perceber que finalmente – finalmente – apanhava em restauração um Molotof que fizesse jus ao nome. À medida que a dose foi sumindo do prato, foi incrementando a percepção de que o pudim em frente não só fazia jus à nomenclatura como estava a elevar a redefinição qualitativa de um Molotof. Há quem diga que o melhor bolo de chocolate do mundo é confeccionado ali para os lados de Campo de Ourique. Permitam-me tecer também uma apreciação (tão discutível como a anterior): o Melhor Pudim Molotof do mundo fica em Nafarros na Adega do Sr. Saraiva.

Inquietudes da massa folhada

Há despertares que nos trazem uma ideia na cabeça. Ainda antes de perceber a chuva e o vento de Outono lá fora, ou antes de reavivar os doces aromas do permeio nocturno crepuscular, a primeira expressão do dia suspira um capricho.

Sem temores da intempérie dá-se a busca de uma vontade e de um desejo. Percorro os locais óbvios mas a veleidade matinal não encontra correspondências nem achamentos. Fazem-se quilómetros de carro, palmilham-se vastos metros a pé. O objecto do desejo, aquela ânsia matinal que não sai da cabeça, teima em fazer-se omisso.

Mas chega um sopro celestial e com ele a certeza de um local da presença do objecto do nosso apoquento. Inicia-se mais uma travessia em direcção a outro ponto, já fora da cidade.

Prestes a ser acometido pelo esmorecimento e descrença, atravesso as últimas portas da demanda. Depois dali, satisfação ou desistência.

Mas eis que há um vislumbre e, já quase de resto na vitrina, apresenta-se uma dupla. Um deles é o meu. Finalmente!

Há dias em que é difícil encontrar um mil-folhas.

mil_folhas

Spot São Luiz

spot

Ponto prévio – Correm à boca grande boas referências acerca do Spot São Luiz. Aproveitei o Lisboa Restaurant Week e por lá me decidi apresentar.

Após ter iniciado este desafio pessoal de escrever sobre comida e restauração comecei a despertar para pormenores que usualmente menosprezava ou menorizava. Comecei a perceber que muito do cuidado e garbo com que a comida chega à mesa de um restaurante pode ser avaliada pela apresentação de uma salada. E aqui esta apresentação revelou-se fresca, harmoniosa e saborosa. Maior parte das vezes a sujeição a saladas desenxabidas e preparadas a descuido é a regra num estabelecimento de restauração.  A salada de que se fala dispunha-se no mesmo prato que a entrada, Bolinhas de Alheiras de Caça com couli de laranja. Muito saborosas com alguns frutos secos a surpreender com delicadeza a prensa maxilar.

Entre as entradas e o prato principal despontam as primeiras referências ao serviço. Embora, a simpatia e a discrição se revelassem normas durante boa parte do repasto, passaram largos minutos entre entradas, pratos principais e sobremesas. Talvez aqui haja motivos para se reverem os processos de articulação entre cozinha e sala. Nomeadamente na gestão dos tempos entre pedidos à cozinha e apresentação dos pratos à clientela. Em compensação, a troca de cinco copos de vinho foi feita por três empregados em simultâneo. Uma ligeira disparidade na diligência entre duas intervenções distintas do serviço.

De permeio entre entradas e sobremesas aterra à mesa um Cachaço de Porco em Rojão sobre Risotto de Parmesão e Maçãs verdes ao vapor. A carne macia, desfez-se na boca a toda a garfada. Mas o que merece mesmo destaque neste prato foi o risotto de parmesão. Granulado suave e sabor cheio de novidade. Experiência altamente recomendada.

Encerrando, Brownie de chocolate com gelado de baunilha. Grande intensidade de sabor a chocolate saciando com plenitude a restante gula da refeição.

Nos copos uma das melhores relações qualidade/preço que circulam por aí, Esteva tinto. Cumpre a função com brio e não desmerece para muitos vinhos bastante mais onerosos que andam pelas cartas de vinho da restauração.

O espaço é elegante, confortável e decorado com gosto. As pessoas que se apresentam no restaurante são bonitas e sofisticadas. Muita da freguesia que por ali correspondia à clientela que finaliza tardes Outonais de Sábado numa esplanada do Chiado.

Uma última referência para o ambiente sonoro que por ali se vivia. Audições de lounge e downtempo a largos espaços decalcadas das minhas próprias audições habituais. E isso é daqueles valores extra que é sempre bom saber onde se podem encontrar.

O Spot São Luiz está na moda. Com alguns reparos no serviço, merecerá estar.

Tasca do Joel

tasca_do_joel

Em trânsito pela A8, um dos bons apeadeiros para repastos fica ali bem próximo do Cabo Carvoeiro, em Peniche.

A Tasca do Joel é um empreendimento gourmet divido em duas partes distintas, loja e restaurante. Local conhecido pelo cuidado e promoção que faz dos vinhos, a Tasca do Joel é também um sítio altamente recomendado para degustações.

O espaço de restauração tem um ar tradicional e divide-se em duas salas principais. A partir de ambas é possível ver a azáfama da cozinha e o corrupio de empregados e cozinheiros na senda de dar aos cliente a melhor experiência possível.

A carta é farta e diversa. A escolha foi difícil e não fosse o adiantado da hora a opção teria recaído num Javali com Castanhas. Mas imperativos da hora e do estômago indicaram que a escolha ajuizada seria o prato do dia, Bacalhau à Tasca.

A escolha pelo prato do dia, não desmereceu em nada as boas recordações que tinha da Tasca do Joel. A travessa apresentou-se na mesa lançando desde logo a dúvida se aquela quantidade não corresponderia a duas doses. Pelos vistos não. O bacalhau frito, disposto em posta alta, lascando, coberto a cebola e acompanhado por batatas fritas às rodelas, estava um consolo.

No copo “Fátima Pato” – branco. O vinho foi arejando com o decurso da refeição e acabou por abrir-se bastante. Estava agressivo ao início mas safou-se com a experiência. Infelizmente só mais tarde, tomei conhecimento de uma carta de vinhos com 31 páginas naquela casa…

Para arremate, uma nova estrela na minha constelação de doçaria, Fidalgo. Um conglomerado de ovos moles e fios de ovos, que alimentou a gula de forma superlativa.

O serviço apresentou-se atento e suficientemente expedito, tendo em conta que o restaurante estava repleto.

A maior das surpresas e satisfações vem no final. A conta apresenta-se discreta e humilde, para aquilo que acabou de se nutrir.

É certo que na próxima travessia pela A8 farei uma pausa por Peniche. Aquele Javali com Castanhas ficou-me mesmo atravessado…

O Melhor Restaurante do Mundo

Sei onde fica o melhor restaurante do mundo!

Conheço a cozinheira e trato-a por “Tu”.

Quando tenho a oportunidade de lá ir, muitas vezes disponho a mesa e também, algumas vezes, ajudo a arrumar o espaço da contenda gustativa.

Nesse restaurante sei sempre qual o prato do dia. E muitas vezes tenho o privilégio de poder sugeri-lo – de acordo, com aquilo que são as vontades e desígnios do palato a cada momento. A carta de vinhos não existe, mas existe uma garrafeira atípica – um carro-de-mão de madeira onde repousam os vinhos que são escolhidos de acordo com aquilo que vamos deliciar nos pratos.

Por lá, os ingredientes são os melhores e a confecção é cuidada e diligente. A comida chega à mesa sem a vaidade de colher elogio mas com a total pretensão de agradar na totalidade às vontades dos sabores e aromas que cada um quer sentir.

A esse lugar, provar uma Sopa de Couves com Feijão é um privilégio. Tomar contacto com uma Sopa de Peixe é uma experiência limite. Apanhar uma pratada de Ervilhas à Serrana é um momento pós-delirante para as papilas gustativas. E existem tantas outras coisas que me abstenho de comentar, pois estaria a ser injusto para todos os outros pratos que encantam e deliciam os convivas.

Nesse local, a banalidade é o óptimo e a normalidade é o excelente. E talvez por isto, e só por isto, é o único sítio que me faz fazer quilómetros para ir comer um Assado de Borrego, um Arroz de Polvo, uma Galinha Corada, um Cozido à Portuguesa, um Polvo à Lagareiro ou um Bacalhau com Natas. E previno que podia estar a referir muitas outras coisas neste rol de delícias.

E há doçaria por lá. Tartes de Nata, Pudins de Gelatina, Arroz Doce, Doces de Bolacha.  A balança anda sempre desgostosa com as idas a este restaurante. Mas o paladar puxa da sua prerrogativa de prioridade aos prazeres da vida e acaba por fazer tender os remorsos da linha e da condição física para os dias seguintes.

E claro, há um mestre de cerimónias que tem sempre uma surpresa para o final. Uma Aguardente Velha de excelência ou um Armagnac que estilhaça o olfacto e o paladar, e arremata mais uma aprazível refeição.

No melhor restaurante do mundo, o segredo na confecção reside num ingrediente. Ingrediente comum a todos os pratos e a todas as refeições. O Carinho. O Carinho na confecção, no cuidado e na vontade de proporcionar a melhor das experiências aqueles que apreciam comer e degustar.  E que procuram fazer de uma refeição algo mais do que o suprimento de uma necessidade fisiológica.

Muitas pessoas têm o ensejo de dizer que a melhor cozinheira do mundo é a sua mãe. Deixem-se lá disso… Deponho aqui perante todos vós – a melhor cozinheira do mundo é mesmo a minha Mãe.

Lisboa Restaurant Week

lisboa_restaurant_week

De 8 a 18 de Outubro um Menu Gourmet fica por 19€+1€.

O luxo gastronómico democratiza-se nalguns dos melhores restaurantes da capital.

19+1

Mais informações aqui:  Lisboa Restaurant Week.

Back to basics

Évora vai receber no próximo ano evento internacional dedicado à gastronomia

comida

Um repasto é um dos preceitos mais acessíveis para fruir. Para surpreender o palato, aromatizar as narinas, destapar texturas e entabular uma conversa embalada por saberes e sabores gastronómicos.

Muitas refeições são vividas em aceleração, na procura do final mais próximo possível. Imperativos horários, imposições e obrigações.

Ainda assim, faz-me cada vez mais confusão a omissão de apreciações acerca das comidas durante uma refeição. Confunde-me e baralha-me quem não consegue tecer uma consideração. Se está bom ou mau, se é saboroso ou intragável, se recomenda ou não. Pessoas que atravessam um almoço com ar de enfado, com o pesar de obrigação da alimentação. Sem necessidade de gostar ou desgostar dos sabores e das sensações, à míngua de agradar ao palato e demais sentidos.

Confunde-me…

D’Oliva Al Forno

doliva

Num antigo armazém da cidade de Matosinhos encontra-se o elegante D’Oliva Al Forno. A primeira impressão que salta à vista é o ambiente cosmopolita. Pessoas elegantemente vestidas, um DJ a seleccionar sequências de tons em registo lounge e chill-out, uma parede forrada a garrafas de vinho e uma outra parede oposto forrada a xisto. A luz está suave e apesar da sala cheia, o ambiente não está ruidoso e a conversa flui na mesa sem grandes interferências das mesas em redor.

A carta é uma mescla de escolhas, embora a predominância recaia em ofertas de cozinha italiana, existem diversas ofertas da cozinha lusa.

O percurso pela carta faz-se com a companhia de caipirinha, e embora as massas frescas sejam sempre um apelo forte, a escolha acabou por recair sobre um Naco de Carne de Angus Argentina com 270 gr. guarnecida com esparregado e batatas fritas em rodelas. A humedecer a carne o tradicional molho argentino chimichurri. A carne chegou à mesa, mal passada a pedido, com aspecto insuperável. O toque de boca correspondeu aquilo que se pode esperar de uma carne argentina – suculência, gosto, maturação e textura. Na guarnição, o esparregado apresentou variante que desconhecia, as nabiças estavam maceradas em vez de trituradas ou moídas como habitualmente. Agradável.

No copo, apresentava-se o versátil e acessível Esteva Douro da Casa Ferreirinha. Cumpriu o desafio de acompanhamento à carne, sem desmerecimento.

Apresentada a carta de sobremesas, ali estava na terceira linha, em apelo urgente, Pudim Abade de Priscos. Sem qualquer tipo de resistência, entreguei-me à sua escolha – sem arrependimento. O Pudim mostrou-se como se quer doce, no limiar do enjoativo, mas rico no sabor e entregando aquela pequena sensação de arrependimento sobre a consciência cerebral de que as artérias estão em fustigo absoluto. Mas apanhar Abades de Priscos nas ementas é avistamento raro e o corpo bem pode, de quando em vez, ser sujeito a martírios tão deliciosos.

O serviço é um reflexo da casa – elegante, expedito, discreto mas deveras atencioso.

Há experiências que se recomendam com vivacidade e convicção. Pena que para voltar a este espaço seja preciso fazer mais de 300 km. Mas há coisas que precisam de se fazer merecer, e saber fazer-se esperar, para possam ser apreciadas com a devida solenidade e vénia.

E classificado em 15º está…

pasteis-de-belem

Privilégios

avo_ana

Chegamos à caixa de mail e temos referenciado um link com diversas receitas locais tuteladas pela nossa Avó Paterna.

Um orgulho e um privilégio de já ter provado todas aquelas iguarias.

A Cozinha Tradicional na Área do Pinhal. (Estudo)(X). Concelho de Sardoal

Em estado claramente ressacado e com uma percepção da realidade próxima da 5ª dimensão, ter a oportunidade de fazer o repasto em local não usual pode trazer óptimas surpresas.

Ali num 2º C do Bairro do Calhariz de Benfica tive o privilégio de ter à espera o almoço deste dia.  Galinha corada, criada por Ana e cozinhada por Fátima, com arroz de forno e um copo de branco, selo Alabastro. Depois disso cá me apresento – revigorado.

Esta semana só consegue começar às 14:30 de 2ª feira…

Superação

40612831_6

A maior riqueza da condição humana é a capacidade para a constante surpresa e encanto que algumas pequenas experiências despertam em nós.

Presumo que para maior parte das pessoas, sentir comoção e emoção com uma experiência gustativa com uma aguardente velha seja vista como um sinal de patetice ou inocuidade emocional. Para quem tenha essa apreciação tenho a declarar o seguinte, sou um pateta emotivo.

Quando a pequena surpresa que nos reservam nos tolhe os sentidos, encaminha para a revelação de sensações e nos faz sentir pequenas crianças a descobrir texturas e sabores, é legítimo que as emoções se desloquem em direcções surpreendentes. 

Há experiências assim – redefinem padrões, colocam o hipótalamo em polvorosa e remetem-nos ao nosso devido lugar. Uma pequena partícula de pó das estrelas com finitude para breve, que deve, e tem de ser, vivida intensamente.

A vida é um privilégio – e sentir uma “Carvalho Ribeiro & Ferreira” Reserva também…

São Rosas

sao_rosas

Lá no alto da colina estremocense onde se perfila a Pousada, que já foi Castelo erigido por amor de Dom Dinis, reserva-se um local de repasto para prazeres intensos e demorados.

Nota prévia a demais apreciações, uma visita ao São Rosas requer estômago para lidar com quantidades e qualidades da farta e rica gastronomia alentejana. Comedores de corrida e demais depreciadores de comezainas deverão ficar ao largo, embora devam ficar a saber que há experiências que dificilmente se devem recusar.

A tradição do enchido, da caça, das migas e açordas povoa a ementa com uma oferta diversa. O tempo da selecção é longo. A vontade de experimentar um pouco de tudo cresce a cada linha desfiada naquela carta.

Para acamar e fazer gestão do esforço do que se ia apresentar mais à frente a contenda inicia-se com uma paleta de enchidos de tradicionais de porco preto. O porco preto traz a cada garfada o sabor dos montados e das planícies alentejanas. Também a entusiasmar o palato, dispunha-se Paté de Figado de Aves e pasta de chouriço. A pasta de chouriço, sendo uma estreia nas sensações, foi a primeira das agradáveis surpresas gustativas. Com estes sabores distintos e suculentos paladares a afagar o palato chega-se à grande escolha do que aí vinha. Lombinhos de Porco Preto com Migas de Bróculos e Costeletas de Borrego Assadas com Alecrim,  Batatinhas e Ervilhas Guisadas. Nos copos, um clássico da terra, Monte das Servas – Colheita Seleccionada.

Nenhum dos pratos desmereceu a fama das iguarias que por aqui se produzem. Carnes de excelência e guarnições elegantes e de fino sabor.

A encerrar a contenda: Pão-de-ló de Alfeizerão e Pudim de Água de Estremoz. O Pudim de Água ombreia de igual para igual com os melhores guardiões da doçaria conventual, Toucinho do Céu e Abade de Priscos, que o escriba já deleitou. Enfim, um grandioso ataque aos níveis de colesterol e triglicéridos que circulam pelo organismo, mas compensado com momentos épicos no afago do palato.

Serviço com a tradicional simpatia do povo alentejano mas elegante e discreto no trato. Espaço confortável e acolhedor.

Tudo isto tem um preço fora da norma, no entanto há experiências para as quais o preço deve ser considerado um pormenor. Esta é, sem dúvida, uma delas.

Nota final: Foi bastante díficil escrever esta pequena revisão ao São Rosas. Escrever sobre experiências de comidas e bebidas não é nada fácil. Não sei se me atrevo a outra…

   

Comezainas

cabritoassado

Um dos maiores prazeres da condição humana são as provocações, surpresas e revelações que se prestam ao palato.

Na senda da descoberta e do prazer da gastronomia, a partir de hoje será consagrado um espaço nesta casa à apreciação de experiências de degustação e demais prazeres gustativos.

Escrever sobre experiências gastronómicas é uma arte ao alcance de poucos. Humildemente, farei aquilo que me for possível para descrever com a maior das paixões (e algum discernimento na racionalidade), as sucessivas experiências que se apresentem pelos bons restaurantes e casas de pasto que este escriba tenha a felicidade de provar.

CL06024G

Pudim à Abade de Priscos

Ingredientes :
* 650 g de açúcar
* 0,5 l de água
* 50 g de toucinho gordo
* 15 gemas
* 1 casca de limão
* 1 pau de canela
* 1 cálice de vinho do Porto

Confecção :

Misturam-se 500 g de açúcar e a água, na qual se introduziu o toucinho, a casca de limão e a canela.
Leva-se ao lume e, quando estiver em ponto de espadana, passa-se a calda por um passador de rede, vazando-a numa tigela larga onde já se deitaram as gemas e o vinho do Porto, misturando ligeiramente.
Com o restante açúcar faz-se uma calda em ponto de caramelo.
Barra-se uma forma com esta calda e levam-se ao lume a cozer em banho-maria.

Nota pessoal: a obtenção de “ponto de espadana” é explicado em qualquer edição de “Mestre Cozinheiro” de Laura Santos.