Category: Âmago


Algures do além

(fui)

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Epitáfio

Aqui escreveu um homem bom.

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Amanhã é Agosto

Nem tudo o que parece é.

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O passar do anos altera algumas percepções acerca do curso da vida. Uma daquelas que tem sido mais flagrante é o entendimento que se faz do tempo.

O tempo urge. O tempo corre fugaz e sem travão. À medida que o tempo passa entende-se que este tempo, o nosso tempo, não será eterno.

Esse entendimento do tempo, valoriza cada minuto que está para vir em função daqueles que já estão a passar. Dessa forma, entende-se a falta de pontualidade como uma pequena afronta ao nosso tempo. Ao tempo que estamos a desperdiçar na espera, por um tempo que outros decidiram tomar para si porque têm uma natural propensão para pensar que o seu tempo é dissociável do tempo dos outros.

Como nos legou Charles Darwin: “O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.”

No caso da falta de pontualidade não existirá grande coragem. Fica sim a desconsideração alheia acerca do valor de cada momento que vamos vivendo por aqui.

Domingo, mais um

Do verdadeiro conhecimento

Nos processos de descoberta de duas pessoas desrelacionadas existe um enorme trabalho de marketing associado.
Naturalmente ambos tentam vender e apresentar aquilo que existe de melhor em cada um. Ou que supostamente a pessoa que têm à sua frente gostaria de ver e sentir.
Neste processo ficam reservados verdadeiras intenções, hábitos esquivos, feitios difíceis, gostos mais estranhos ou peculiares.
As caracteristicas que fazem parte da natureza de uma pessoa difilmente se transformam. Todas estas coisas acabarão por surgir. Levarão semanas, meses ou mesmo anos, mas tudo aquilo que faz parte da matriz de uma pessoa acabará por irromper, mais cedo ou mais tarde, para o bem e para o mal…

Resisti – e agora repouso


Desafios da liderança laboral

Começou com a ideia errada que se deviam evitar conflitos.

Os conflitos são inevitáveis

Questão para tarde domingueira

Diferentes emoções permitem principiar experiências similares?

So much for love

O Verão começou. Este Verão vou fazer tudo de novo. O Verão acabou.

O despertador tocou. O despertador tocou outra vez. Estou a agendar o despertador para amanhã.

O Natal está a chegar. O Natal partiu tão rapidamente quanto chegou. O Natal não tarda está aí.

Hoje é 6ª feira. Amanhã é Domingo. Hoje é 2ª e começa mais uma semana interminável.

Amanhã faço anos. Ontem fiz anos. Estou a fazer anos novamente.

E tudo se repete ano após ano, mês a mês, dia a dia, hora a hora. Passamos as nossas vidas a viver e a sentir as expectativas das repetições circulares. Sabemos sempre o que vem a seguir ao próximo acontecimento, à próxima sensação, ao próximo agendamento. A melancolia da repetição tem aquela segurança infante das crianças que gostam de ver o mesmo filme animado vezes sem conta. Sabem a próxima fala, a próxima cena, o desenlace. E com essa falsa caução de quem sabe sempre o que vai suceder novamente deixam quase tudo por explorar e quase tudo por arriscar.

O Verão começou.

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Nas inocentes memórias da infância guardei a recordação de um doce conventual ribatejano, o pampilho.
Lembro-me da ocasião em que pela primeira vez o provei, teria 7 ou 8 anos. Foi numa tasquinha de doçaria regional que havia nas, há muito extintas, Festas do Concelho de Sardoal. A vida não me apresentou mais pampilhos na frente gustativa e na minha inocência de criança não procurei saber mais acerca do onde vinha e o que era de facto aquilo.
Durante anos reservei essa memória. Lembrava-me da sua existência mas, como em muitas memórias gratas do passado, decidi não procurar nem investigar.
Há poucos anos, o pampilho reapareceu na minha existência. Vitrines de pastelarias começaram a ser pontuadas com aquele pequeno rolo que tanto me encantou nos finais de Setembro da minha infância.
Múltiplas variantes estão a aparecer – já há com chocolate – e estão a disseminar-se por todo o país.
Estou apreensivo, o meu primeiro doce conventual, que especialmente resguardava na minha memória, banalizou-se. Apareceu em todo o lado, sob várias formas, e nem sempre com aquele embate papilar que recordava.
Estava a conseguir debater-me bem com esta gestão da popularidade rasteira que alguns estão a querer dar ao pampilho. Estava mas, depois disto que está abaixo, temo que o pampilho perca aquele brilho especial que as minhas infantes memórias preservavam…

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Loucos ou heróis?

Uma forma rápida e bastante eficaz de voltar a ser chacoteado como nos tempos da escola:

combinar uma clássica aversão a protector solar com uma exposição solar alienada à estupidez.

 

Idas ao divã (II)

Momento importante aquele em que percebemos que o primeiro perdão tem de ser de nós para nós.

O mais difícil e longo relacionamento que temos na vida é connosco. Não estando esse relacionamento salutar, dificilmente poderá haver um relacionamento com mais alguém.

 

Idas ao divã (I)

Amar é fácil, saber ser amado é que é um berbicacho.

Fins, começos e reinícios

Passaram dois anos desde a chegada ao fim da linha do “Gota”.

Nestes dois anos aconteceram milhentas coisas incríveis e memoráveis. Estas milhentas coisas, embora ausentes deste espaço, estão assentes em inúmeros suportes. De todos estes suportes, o mais importante é a memória.

A memória é aquilo que nos ajuda a projectar o que somos e quem queremos ser. Diz-nos a história – a nossa, a dos outros e até de forma mais lata a história da humanidade – que quem não consegue lidar com a memória dificilmente poderá viver sem sobressalto o seu futuro e a sua construção. A memória ensina.

Uma das coisas que conduziu também a este regresso foi a revisita de todo o conteúdo do que por aqui foi escrito anteriormente. Essa visita na história reavivou alguns momentos que ajudam a perceber a evolução e a transformação da pessoa que eramos e somos hoje. Essa memória, e essa história, apazígua e serena, porque ajuda a perceber onde se andou, o que se atravessou e porque se chegou aqui a este momento.

Bem, na verdade, o que conduz a este regresso é a dificuldade que a idade do escriba coloca na manutenção da memória. Quando se caminha para a idade ganha-se muita coisa, mas a capacidade física e mental, essa, vai fugindo quase sem avisar.

Como os tipos que gerem aqui os hemisférios responsáveis pelos arquivos já adormecem mais vezes, o melhor é mesmo ir documentando toda esta experiência que é a vida num suporte mais seguro e de consulta rápida.

Porque, contrariamente ao que dizem algumas canções, podemos voltar a ser felizes onde já o fomos.

Sejam bem vindos novamente.

Fim da linha

O final de um blogue pode ser anunciado com um longo discurso de agradecimento e com a reflexão do percurso do que por aqui foi aparecendo durante um ano e meio.

Também pode ser anunciado de uma forma mais curta, concisa e lapidar.

A opção é a segunda.

Este blogue fica por aqui.

Adeus e obrigado.

Synecdoche, New York

Fim de noite

Hábitos – a mudança

Consta que um dia Charles Dickens terá dito que “O homem é um animal de hábitos”.

O “hábito” é uma zona de segurança e de conforto. Ajuda a manter a ordem e a previsibilidade. Permite o controlo da variáveis e controlando as variáveis controlamos a surpresa, o esforço e a aleatoriedade.

Podem existir diversas mudanças que alterem muitos dos hábitos instituídos na vida. Ainda assim, parece-me que a modificação que pode conduzir à maior alteração de hábitos é uma mudança de emprego.

Com uma mudança de emprego deixámos de repetir os exercícios mentais diários aos quais habituámos os nossos neurónios durante anos. Embora isso  acabe por ser irritante – quando pensamos que a repetição se faz por defeito e de forma meio estupidificante – percebemos também que esses mecanismos servem para pouparmos tempo e energias.

Muitas das rotinas são alteradas numa mudança de emprego. A hora de despertar, os percursos, as tarefas, os colegas, os almoços, a disponibilidade temporal. Para uma pessoa se adaptar a tudo isso precisa de criar novos hábitos e novas rotinas. Perceber qual a sua posição, perceber as afinidades com os novos colegas, aprender novos modelos de negócio. Muitas transformações ocorrem e para correspondermos às expectativas que nos são depositadas é preciso responder de forma adequada a todas as novas variáveis. Energicamente e mentalmente é díficil de gerir.

No dia em que os hábitos estiverem instalados e assimilados e em que todas as novidades se transformem em  processos mecanizados será, provavelmente, o dia em que devemos começar a pensar mudar todos estes hábitos novamente.

Saída/Entrada

O final de um percurso laboral numa determinada organização comporta sempre algumas expectativas e alguns receios.

As expectativas vão para a adaptação às novas funções, novos colegas, novas tecnologias e novas metodologias de trabalho.

Os receios vão para a nostalgia da despedida, para a forma como as pessoas podem reagir à saída de um colega mas, sobretudo, pela marca que deixamos após vários anos de trabalho.

O desvanecer dos receios chega com  o aproximar do dia da partida. Os telefonemas mais institucionais dos clientes desejando felicidades, as abordagens na máquina do café procurando saber a próxima paragem, as reacções aos emails que dão conta da partida. Na reacção a esses emails, não deixa de surpreender, as boas reacções que chegam de franjas de uma organização, com alguma dimensão, que dão boa conta da imagem que deixamos para trás. Isso é gratificante.

Mas aquilo que é mesmo gratificante é perceber, ali nos momentos finais, que não deixámos ex-colegas para trás. Ao longo destes anos, ganhámos amigos.

Obrigado a todos.

Trabalhos

Se um velho atalho fosse o caminho certo há muito que seria uma estrada principal.