O Verão começou. Este Verão vou fazer tudo de novo. O Verão acabou.

O despertador tocou. O despertador tocou outra vez. Estou a agendar o despertador para amanhã.

O Natal está a chegar. O Natal partiu tão rapidamente quanto chegou. O Natal não tarda está aí.

Hoje é 6ª feira. Amanhã é Domingo. Hoje é 2ª e começa mais uma semana interminável.

Amanhã faço anos. Ontem fiz anos. Estou a fazer anos novamente.

E tudo se repete ano após ano, mês a mês, dia a dia, hora a hora. Passamos as nossas vidas a viver e a sentir as expectativas das repetições circulares. Sabemos sempre o que vem a seguir ao próximo acontecimento, à próxima sensação, ao próximo agendamento. A melancolia da repetição tem aquela segurança infante das crianças que gostam de ver o mesmo filme animado vezes sem conta. Sabem a próxima fala, a próxima cena, o desenlace. E com essa falsa caução de quem sabe sempre o que vai suceder novamente deixam quase tudo por explorar e quase tudo por arriscar.

O Verão começou.

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