Nas inocentes memórias da infância guardei a recordação de um doce conventual ribatejano, o pampilho.
Lembro-me da ocasião em que pela primeira vez o provei, teria 7 ou 8 anos. Foi numa tasquinha de doçaria regional que havia nas, há muito extintas, Festas do Concelho de Sardoal. A vida não me apresentou mais pampilhos na frente gustativa e na minha inocência de criança não procurei saber mais acerca do onde vinha e o que era de facto aquilo.
Durante anos reservei essa memória. Lembrava-me da sua existência mas, como em muitas memórias gratas do passado, decidi não procurar nem investigar.
Há poucos anos, o pampilho reapareceu na minha existência. Vitrines de pastelarias começaram a ser pontuadas com aquele pequeno rolo que tanto me encantou nos finais de Setembro da minha infância.
Múltiplas variantes estão a aparecer – já há com chocolate – e estão a disseminar-se por todo o país.
Estou apreensivo, o meu primeiro doce conventual, que especialmente resguardava na minha memória, banalizou-se. Apareceu em todo o lado, sob várias formas, e nem sempre com aquele embate papilar que recordava.
Estava a conseguir debater-me bem com esta gestão da popularidade rasteira que alguns estão a querer dar ao pampilho. Estava mas, depois disto que está abaixo, temo que o pampilho perca aquele brilho especial que as minhas infantes memórias preservavam…

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