Archive for Julho, 2012


Amanhã é Agosto

Nem tudo o que parece é.

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O passar do anos altera algumas percepções acerca do curso da vida. Uma daquelas que tem sido mais flagrante é o entendimento que se faz do tempo.

O tempo urge. O tempo corre fugaz e sem travão. À medida que o tempo passa entende-se que este tempo, o nosso tempo, não será eterno.

Esse entendimento do tempo, valoriza cada minuto que está para vir em função daqueles que já estão a passar. Dessa forma, entende-se a falta de pontualidade como uma pequena afronta ao nosso tempo. Ao tempo que estamos a desperdiçar na espera, por um tempo que outros decidiram tomar para si porque têm uma natural propensão para pensar que o seu tempo é dissociável do tempo dos outros.

Como nos legou Charles Darwin: “O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.”

No caso da falta de pontualidade não existirá grande coragem. Fica sim a desconsideração alheia acerca do valor de cada momento que vamos vivendo por aqui.

Aprovado

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Domingo, mais um

Do verdadeiro conhecimento

Nos processos de descoberta de duas pessoas desrelacionadas existe um enorme trabalho de marketing associado.
Naturalmente ambos tentam vender e apresentar aquilo que existe de melhor em cada um. Ou que supostamente a pessoa que têm à sua frente gostaria de ver e sentir.
Neste processo ficam reservados verdadeiras intenções, hábitos esquivos, feitios difíceis, gostos mais estranhos ou peculiares.
As caracteristicas que fazem parte da natureza de uma pessoa difilmente se transformam. Todas estas coisas acabarão por surgir. Levarão semanas, meses ou mesmo anos, mas tudo aquilo que faz parte da matriz de uma pessoa acabará por irromper, mais cedo ou mais tarde, para o bem e para o mal…

MANU CHAO

Resisti – e agora repouso


Moonrise Kingdom

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O mais divertido, terno e mágico filme dos últimos tempos. Moonrise Kingdom é uma colecção de postais ilustrados que relatam aquela história de amor infantil que todos desejávamos ter vivido.

Libório guardava em si um conhecimento transmitido por seu sábio Pai desde tenra idade.

Hoje, em modo discente de linguajar norueguês, houve uma solicitação à turma.

Afinal, parece que parte do conhecimento de Libório pode ser usado em algum momento da sua vida.

Libório era o único da classe a saber quem era, e o que tinha feito, Thor Heyerdahl.

Norske lyder

Há alturas em que algumas divisões da casa se indispõem de forma desregrada. Há momentos em que não sabemos onde arrumar mais vestimenta. Há ocasiões em que a cabeça parece transportar carga a mais. Há dias em que o trabalho surge em sobrecarga e repleto de tremendismo.

Nestas indeterminadas ocasiões avalia-se toda a bagagem que transportamos ao longo de uma vida.

Temos coisas a mais. Trabalho a mais, roupa a mais, livros a mais, conhecimento a mais e demais pertences e haveres – físicos e terrenos. Alguns destes nunca mais cotiar, ver ou tão somente tocar.

Grande parte do tempo, carregamos bagagens e gerimos diferentes espaços de arrumos. E grande parte do tempo toda esta carga desobriga-nos de cuidar e estimar toda a outra bagagem que não ocupa espaço, que não cansa e que gratifica. As emoções e afectos, os amigos e a família.

Sabemos que temos coisas a mais no momento em que procuramos algo que temos e não a encontramos em lado nenhum.

Começou com a ideia errada que se deviam evitar conflitos.

Os conflitos são inevitáveis

Júnior Urso

Jeg heter Luís.

Questão para tarde domingueira

Diferentes emoções permitem principiar experiências similares?

So much for love

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O Verão começou. Este Verão vou fazer tudo de novo. O Verão acabou.

O despertador tocou. O despertador tocou outra vez. Estou a agendar o despertador para amanhã.

O Natal está a chegar. O Natal partiu tão rapidamente quanto chegou. O Natal não tarda está aí.

Hoje é 6ª feira. Amanhã é Domingo. Hoje é 2ª e começa mais uma semana interminável.

Amanhã faço anos. Ontem fiz anos. Estou a fazer anos novamente.

E tudo se repete ano após ano, mês a mês, dia a dia, hora a hora. Passamos as nossas vidas a viver e a sentir as expectativas das repetições circulares. Sabemos sempre o que vem a seguir ao próximo acontecimento, à próxima sensação, ao próximo agendamento. A melancolia da repetição tem aquela segurança infante das crianças que gostam de ver o mesmo filme animado vezes sem conta. Sabem a próxima fala, a próxima cena, o desenlace. E com essa falsa caução de quem sabe sempre o que vai suceder novamente deixam quase tudo por explorar e quase tudo por arriscar.

O Verão começou.

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Bug da criação divina.

Nas inocentes memórias da infância guardei a recordação de um doce conventual ribatejano, o pampilho.
Lembro-me da ocasião em que pela primeira vez o provei, teria 7 ou 8 anos. Foi numa tasquinha de doçaria regional que havia nas, há muito extintas, Festas do Concelho de Sardoal. A vida não me apresentou mais pampilhos na frente gustativa e na minha inocência de criança não procurei saber mais acerca do onde vinha e o que era de facto aquilo.
Durante anos reservei essa memória. Lembrava-me da sua existência mas, como em muitas memórias gratas do passado, decidi não procurar nem investigar.
Há poucos anos, o pampilho reapareceu na minha existência. Vitrines de pastelarias começaram a ser pontuadas com aquele pequeno rolo que tanto me encantou nos finais de Setembro da minha infância.
Múltiplas variantes estão a aparecer – já há com chocolate – e estão a disseminar-se por todo o país.
Estou apreensivo, o meu primeiro doce conventual, que especialmente resguardava na minha memória, banalizou-se. Apareceu em todo o lado, sob várias formas, e nem sempre com aquele embate papilar que recordava.
Estava a conseguir debater-me bem com esta gestão da popularidade rasteira que alguns estão a querer dar ao pampilho. Estava mas, depois disto que está abaixo, temo que o pampilho perca aquele brilho especial que as minhas infantes memórias preservavam…

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Stars are made to shine

Era uma vez na Anatólia

À primeira impressão, “Era uma Vez na Anatólia”, aparenta uma normal (?!) investigação criminal nas estepes turcas.

Viaja-se em ambiente nocturno e masculino, erraticamente, na busca de um cadáver escondido. A escuridão e a imensidão do espaço transforma a investigação num espaço de intimidade em que vão surgindo algumas confidências e memórias que nos mostram um pouco do interior de cada um.

Com o passar dos longos minutos, longos e lentos,  começa a perceber-se que a busca de um corpo é um pretexto. Um pretexto para colocar como denominador comum, a todas as personagens masculinas que embarcam nesta viagem lúgubre, as mulheres. A forma como as mulheres nos tratam, como nos marcam e como para elas olhamos.

A viagem pelo deserto, pelas memórias e pelas angustias vai revelando a forma implacável como a beleza da mulher assalta um homem, a dureza maternal com que nos tratam as esposas, a forma violenta como por vezes procuram vingar as suas dores, a disciplina férrea com que preservam os seus segredos e a forma melancólica e doce com que se esculpem nas memórias masculinas.

Um belo filme que só se revela plenamente algumas horas depois de terminada a sessão.