Há alguns anos que estou inserido no mercado de trabalho. Passei por empresas que forneciam serviços distintos e que actuavam em áreas de negócio distintas umas das outras. Vivi a pequena empresa – quase familiar – que se está a lançar no mercado, a multinacional que age sem concorrência em áreas especificas de negócio e o gigantesco conglomerado nacional com milhares de colaboradores.

Embora neste percurso tenha transitado por organizações tão distintas nas suas formas e nos seus propósitos, existem algumas particularidades que são comuns a todas elas.

Uma delas causa-me – se calhar vai causar sempre  – algum pasmo. As pessoas que pairam pelas organizações sem que saibamos muito bem o que fazem por ali. Existe uma classe de pessoas que parece passar pelos dias sem obrigações, sem responsabilidades e sem afazeres. Passam os dias pelos sites dos jornais desportivos, a zelar por avatares virtuais nos FarmVille e quejandos online, e junto às máquinas do café a contar graçolas. Não há ninguém a quem prestem contas ou apresentem resultados, talvez porque – pasmo novamente – não haja ninguém que exerça algum tipo de chefia e exija esses resultados.

O contacto que tenho tido com “colaboradores” deste tipo não faz deles uma regra. São claramente a excepção. Mas à medida que vamos conhecendo organizações de maior dimensão, percebemos também que o número de pessoas que pairam nesse regime vai aumentando proporcionalmente. Para uma organização, o custo operacional de uma pessoa que tem como única função estar presente é enorme. O pagamento de um vencimento a quem não exerce as funções por persistência de frouxidão é imoral para quem recebe e devia afligir quem paga.

Sem produtividade e sem resultados há quem se vá perpetuando nas organizações. Muitas vezes até vão progredindo nas hierarquias.

Decalcando para um retrato mais generalizado das endemias lusas vemos que esta forma de estar é tradicional.

Há quem vá ficando pelas sombras uma e outra vez, e ao fim de algum tempo vai ficando por ali. Com o passar do tempo, alija-se das tarefas que lhe competiam. Entretanto a orgânica dos processos vai distribuindo esse trabalho, que  vai ficando por fazer, para outras pessoas ou outros departamentos.

Palpita-me que um dia destes voltarei a esta temática.

FarmVille

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