Consta que um dia Charles Dickens terá dito que “O homem é um animal de hábitos”.

O “hábito” é uma zona de segurança e de conforto. Ajuda a manter a ordem e a previsibilidade. Permite o controlo da variáveis e controlando as variáveis controlamos a surpresa, o esforço e a aleatoriedade.

Podem existir diversas mudanças que alterem muitos dos hábitos instituídos na vida. Ainda assim, parece-me que a modificação que pode conduzir à maior alteração de hábitos é uma mudança de emprego.

Com uma mudança de emprego deixámos de repetir os exercícios mentais diários aos quais habituámos os nossos neurónios durante anos. Embora isso  acabe por ser irritante – quando pensamos que a repetição se faz por defeito e de forma meio estupidificante – percebemos também que esses mecanismos servem para pouparmos tempo e energias.

Muitas das rotinas são alteradas numa mudança de emprego. A hora de despertar, os percursos, as tarefas, os colegas, os almoços, a disponibilidade temporal. Para uma pessoa se adaptar a tudo isso precisa de criar novos hábitos e novas rotinas. Perceber qual a sua posição, perceber as afinidades com os novos colegas, aprender novos modelos de negócio. Muitas transformações ocorrem e para correspondermos às expectativas que nos são depositadas é preciso responder de forma adequada a todas as novas variáveis. Energicamente e mentalmente é díficil de gerir.

No dia em que os hábitos estiverem instalados e assimilados e em que todas as novidades se transformem em  processos mecanizados será, provavelmente, o dia em que devemos começar a pensar mudar todos estes hábitos novamente.

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