Archive for Abril, 2010


Fim-de-semana


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Persistência da frouxidão

Há alguns anos que estou inserido no mercado de trabalho. Passei por empresas que forneciam serviços distintos e que actuavam em áreas de negócio distintas umas das outras. Vivi a pequena empresa – quase familiar – que se está a lançar no mercado, a multinacional que age sem concorrência em áreas especificas de negócio e o gigantesco conglomerado nacional com milhares de colaboradores.

Embora neste percurso tenha transitado por organizações tão distintas nas suas formas e nos seus propósitos, existem algumas particularidades que são comuns a todas elas.

Uma delas causa-me – se calhar vai causar sempre  – algum pasmo. As pessoas que pairam pelas organizações sem que saibamos muito bem o que fazem por ali. Existe uma classe de pessoas que parece passar pelos dias sem obrigações, sem responsabilidades e sem afazeres. Passam os dias pelos sites dos jornais desportivos, a zelar por avatares virtuais nos FarmVille e quejandos online, e junto às máquinas do café a contar graçolas. Não há ninguém a quem prestem contas ou apresentem resultados, talvez porque – pasmo novamente – não haja ninguém que exerça algum tipo de chefia e exija esses resultados.

O contacto que tenho tido com “colaboradores” deste tipo não faz deles uma regra. São claramente a excepção. Mas à medida que vamos conhecendo organizações de maior dimensão, percebemos também que o número de pessoas que pairam nesse regime vai aumentando proporcionalmente. Para uma organização, o custo operacional de uma pessoa que tem como única função estar presente é enorme. O pagamento de um vencimento a quem não exerce as funções por persistência de frouxidão é imoral para quem recebe e devia afligir quem paga.

Sem produtividade e sem resultados há quem se vá perpetuando nas organizações. Muitas vezes até vão progredindo nas hierarquias.

Decalcando para um retrato mais generalizado das endemias lusas vemos que esta forma de estar é tradicional.

Há quem vá ficando pelas sombras uma e outra vez, e ao fim de algum tempo vai ficando por ali. Com o passar do tempo, alija-se das tarefas que lhe competiam. Entretanto a orgânica dos processos vai distribuindo esse trabalho, que  vai ficando por fazer, para outras pessoas ou outros departamentos.

Palpita-me que um dia destes voltarei a esta temática.

FarmVille

Factos inevitáveis

O 32º título do Benfica está para as expectativas dos Benfiquistas como a chegada do FMI para o País.

Ambos vão chegar. Só falta saber em que semana.

Fim de noite

Fim-de-semana

26

Carris pondera nova carreira entre Benfica e Campo Grande.

O “clássico” dos “clássicos” joga-se hoje.

Hábitos – a mudança

Consta que um dia Charles Dickens terá dito que “O homem é um animal de hábitos”.

O “hábito” é uma zona de segurança e de conforto. Ajuda a manter a ordem e a previsibilidade. Permite o controlo da variáveis e controlando as variáveis controlamos a surpresa, o esforço e a aleatoriedade.

Podem existir diversas mudanças que alterem muitos dos hábitos instituídos na vida. Ainda assim, parece-me que a modificação que pode conduzir à maior alteração de hábitos é uma mudança de emprego.

Com uma mudança de emprego deixámos de repetir os exercícios mentais diários aos quais habituámos os nossos neurónios durante anos. Embora isso  acabe por ser irritante – quando pensamos que a repetição se faz por defeito e de forma meio estupidificante – percebemos também que esses mecanismos servem para pouparmos tempo e energias.

Muitas das rotinas são alteradas numa mudança de emprego. A hora de despertar, os percursos, as tarefas, os colegas, os almoços, a disponibilidade temporal. Para uma pessoa se adaptar a tudo isso precisa de criar novos hábitos e novas rotinas. Perceber qual a sua posição, perceber as afinidades com os novos colegas, aprender novos modelos de negócio. Muitas transformações ocorrem e para correspondermos às expectativas que nos são depositadas é preciso responder de forma adequada a todas as novas variáveis. Energicamente e mentalmente é díficil de gerir.

No dia em que os hábitos estiverem instalados e assimilados e em que todas as novidades se transformem em  processos mecanizados será, provavelmente, o dia em que devemos começar a pensar mudar todos estes hábitos novamente.