“Nas Nuvens” poderia ser um grande filme. Não é!

Depois de um genial retrato social e das relações entre pessoas em “Juno”, Jason Reitman fez marcha atrás e alijou no argumento e na sagacidade.

A base de construção do filme é muito interessante. A forma como a crise económica gera novas oportunidades de negócios – desumanas é certo – e de que forma essa actividade e tudo o que lhe é inerente pode lançar uma pessoa em confrontações filosóficas consigo mesma. Aquilo que pretendia ser um tratado de solidão nos tempos em que as diversas redes globais nos ligam a milhões de pessoas, fica pífio no exacto momento em que  não se percebe a escolha por uma vida solitária do protagonista – na prática toda a duração do filme.

Paralelamente, muitos dos momentos mais “marcantes” do filme surgem de partos difíceis – forçados, desadequados, desenquadrados. Visitas românticas ao liceu. Um papel com a morada da “amante de viagens” que afinal tinha família e não queria ser descoberta. Um discurso motivacional ao futuro cunhado que, na dúvida da concretização do casório, muda de ideias com meia dúzia de banalidades. Então e a personagem vai ao casamento da irmã na sua cidade e não encontra nenhum amigo da juventude?

São pequenos pormenores mas na riqueza dos pequenos pormenores se fazem as grandes obras.

Clooney cumpre em serviços mínimos. O resto do elenco apresenta-se desobrigado e sem grande vontade de dar espessura às personagens.

O filme não desmerece uma ida ao cinema numa matiné de Domingo mas está bem longe das expectativas que se apresentam.

Anúncios