As melhoras descobertas são quase sempre as inesperadas. Sobretudo quando não esperamos que os padrões de gulodice sofram uma redefinição. Quanto a isto já lá vamos…

O lugar do crime é em Nafarros. A Adega Saraiva, casa de pasto familiar e de recepção afável, conserva longa tradição nos pratos de Bacalhau e Cabrito, assados. Embora somente a carga sobre o Bacalhau possa ser avaliado nestas considerações, a fama não é desmerecida. Se batatas assadas com pele acompanhassem o fiel amigo na assadura no lugar de insonsas batatas cozidas estaríamos próximos de algo superlativo. Fica a compensação do azeite fervido com alho, onde se embeberam muitas sopas de pão – traça da região Oeste mas confecção algures pela serrania sintrense.

Não é expectável, embora na verdade não hajam regras para estas coisas, que no almoço dominical se redefinam padrões de gulodice. Maior parte das vezes maltratado, o Pudim Molotof aparece amiúde em cartas de sobremesas por este país fora. Não poucas vezes, os Molotof  apresentam-se desmaiados com creme de ovo confeccionado em dias anteriores e inconsistência textural. Bastou o primeiro impacto da colher para perceber que finalmente – finalmente – apanhava em restauração um Molotof que fizesse jus ao nome. À medida que a dose foi sumindo do prato, foi incrementando a percepção de que o pudim em frente não só fazia jus à nomenclatura como estava a elevar a redefinição qualitativa de um Molotof. Há quem diga que o melhor bolo de chocolate do mundo é confeccionado ali para os lados de Campo de Ourique. Permitam-me tecer também uma apreciação (tão discutível como a anterior): o Melhor Pudim Molotof do mundo fica em Nafarros na Adega do Sr. Saraiva.

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