Archive for Janeiro, 2010


Adega do Saraiva

As melhoras descobertas são quase sempre as inesperadas. Sobretudo quando não esperamos que os padrões de gulodice sofram uma redefinição. Quanto a isto já lá vamos…

O lugar do crime é em Nafarros. A Adega Saraiva, casa de pasto familiar e de recepção afável, conserva longa tradição nos pratos de Bacalhau e Cabrito, assados. Embora somente a carga sobre o Bacalhau possa ser avaliado nestas considerações, a fama não é desmerecida. Se batatas assadas com pele acompanhassem o fiel amigo na assadura no lugar de insonsas batatas cozidas estaríamos próximos de algo superlativo. Fica a compensação do azeite fervido com alho, onde se embeberam muitas sopas de pão – traça da região Oeste mas confecção algures pela serrania sintrense.

Não é expectável, embora na verdade não hajam regras para estas coisas, que no almoço dominical se redefinam padrões de gulodice. Maior parte das vezes maltratado, o Pudim Molotof aparece amiúde em cartas de sobremesas por este país fora. Não poucas vezes, os Molotof  apresentam-se desmaiados com creme de ovo confeccionado em dias anteriores e inconsistência textural. Bastou o primeiro impacto da colher para perceber que finalmente – finalmente – apanhava em restauração um Molotof que fizesse jus ao nome. À medida que a dose foi sumindo do prato, foi incrementando a percepção de que o pudim em frente não só fazia jus à nomenclatura como estava a elevar a redefinição qualitativa de um Molotof. Há quem diga que o melhor bolo de chocolate do mundo é confeccionado ali para os lados de Campo de Ourique. Permitam-me tecer também uma apreciação (tão discutível como a anterior): o Melhor Pudim Molotof do mundo fica em Nafarros na Adega do Sr. Saraiva.

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Recobro

Elencam-se algumas práticas e procedimentos para encarar a recuperação destas intervenções delicadas com bom ânimo e disposição:

– Comidas da Mãe;

– Pastéis de Feijão;

– Chamadas da família;

– Visitas ao início da noite;

– Votos de melhoras que vêm do estrangeiro;

– Seriados em DVD;

– Cafunés delicados para não dar cabo disto tudo;

– Votos de melhoras que não esperamos;

Imprescindível:

– Mil-Folhas.

O post à fim de noite no Sardoal

Há os que podem e não querem.

Há os que querem e não podem.

Há os que sabem que querem mas sabem que não podem.

Há os que sabem que querem e sabem que podem.

PS: último post com a configuração nasal actual.

Postaleco do antigamente

A oportunidade de viajar no tempo é um dos temas mais aflorados pela ficção científica. A física quântica não desmistifica a coisa, e tem alturas até, em que reforça a possibilidade científica do evento. Viver – ou reviver – tempos passados faz parte das vontades tecnológicas futuras da humanidade seja por voltar a onde já se esteve ou para regressar a zonas da história que nunca se viveram.

Ouço dos antigos, histórias de repressão, do condicionamento do discurso e da ideia, da incapacidade paralisante de opinar e agir. Infelizmente, não tem sido preciso nenhuma cápsula mágica para fazer recuar 40 ou 50 anos na história e ver como essas coisas se processavam.

A perpetuação do status quo político, debaixo de climas intimidadores, trocas de favores, pressões, coacção e outras demais ferramentas de fracos líderes, permanece uma realidade no presente.

Resta um consolo de, viajando aos registos históricos desse passado, ver como todos esses regimes acabaram por apodrecer e cair. Não só para quem os delineava mas para quem os sustentava.

Há quem, tolhido pela voragem e volúpia da perpetuação do poder, deixe de querer aprender com o passado. E se há lições importantes são as lições da história e a sua percepção de como as coisas podem findar no futuro.

Fim-de-semana

E no fundo é isto

Meia-noite. “É só mais esta e vou para casa.”

A assertividade da declaração de um “lagarto” (Lagarto do Sardoal – não daqueles que seguem a agremiação que se apresenta atrás do LIDL do Campo Grande) nestas circunstâncias, tem tanto de verdade como ouvir o admirável líder da cortelha governativa lusitana a falar do fim da crise ou das virtudes do TGV.

E um defesa-esquerdo? Só falta um defesa-esquerdo.

Para consolo: veste de águia ao peito o melhor jogador da Liga Sagres. Para ti Javier, um forte abraço do sócio 204668.

Eu sei que não devias estar a jogar por aqui, mas vou fazer de conta que não percebo…

Aforismo de madrugada

Há muitos bons partidos por aí.

Difícil é encontrar bons completos.

Um ano de blogue

Desde o início da difusão generalizada do cinema, que muito da evolução tecnológica de ponta teve como incubadora o cinema e os avanços  das suas técnicas de produção. De tempos a tempos, surgem essas obras que apresentam evoluções técnicas e redefinem conceitos e patamares de qualidade.

Longe de ter uma história brilhante – e com um argumento incapaz de fugir a um punhado de lugares comuns –  Avatar vale pelo aparato tecnológico e pelas novas técnicas de cinema digital que introduz. É provavelmente o filme visualmente mais espantoso do Cinema. Só isto faz com que seja merecedor de um visionamento.

Uma nota final a melómanos: a sonoplastia e banda sonora é bastante trivial, longe de cavalgadas orquestrais à “Lord of The Rings” ou composições sinfónicas “à la” John Williams. Acaba mesmo com uma cançoneta da Céline Dion, no momento em que fica a porta aberta para um Avatar 2. Isto é coisa para não augurar nada de bom para a sequela…

2010

Após duas semanas de festejos, abusos gastronómicos, lautas patuscadas, jornadas laborais a meio gás, o ano começa verdadeiramente amanhã, 4 de Janeiro.

“Start Your Engines”.

Bom 2010.