Há despertares que nos trazem uma ideia na cabeça. Ainda antes de perceber a chuva e o vento de Outono lá fora, ou antes de reavivar os doces aromas do permeio nocturno crepuscular, a primeira expressão do dia suspira um capricho.

Sem temores da intempérie dá-se a busca de uma vontade e de um desejo. Percorro os locais óbvios mas a veleidade matinal não encontra correspondências nem achamentos. Fazem-se quilómetros de carro, palmilham-se vastos metros a pé. O objecto do desejo, aquela ânsia matinal que não sai da cabeça, teima em fazer-se omisso.

Mas chega um sopro celestial e com ele a certeza de um local da presença do objecto do nosso apoquento. Inicia-se mais uma travessia em direcção a outro ponto, já fora da cidade.

Prestes a ser acometido pelo esmorecimento e descrença, atravesso as últimas portas da demanda. Depois dali, satisfação ou desistência.

Mas eis que há um vislumbre e, já quase de resto na vitrina, apresenta-se uma dupla. Um deles é o meu. Finalmente!

Há dias em que é difícil encontrar um mil-folhas.

mil_folhas

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