Momento particularmente confrangedor quando temos de confortar um amigo devido a um grande infortúnio pessoal.

Passamos algumas horas a pensar no que dizer num telefonema de pesar. A eleger palavras, a preferir expressões e a delinear  o estratagema mais adequado para mostrar a nossa partilha pela dor e a nossa oferta de total apoio num momento duro e cruel. No meio dessas escolhas, uma ideia salta, a ideia de evitar liminarmente a questão mais idiota e néscia que se pode fazer nestes momentos.

O telefone toca. Enquanto toca, todo o argumento pensado ao longo do dia vai-se tornando difuso com ânsia do desânimo vocal que nos pode surgir do outro lado. No momento do atendimento, já perdemos todo o discurso e vamos ficando encurralados… lá sai: -“Como é que estás?”

Porra.

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