doliva

Num antigo armazém da cidade de Matosinhos encontra-se o elegante D’Oliva Al Forno. A primeira impressão que salta à vista é o ambiente cosmopolita. Pessoas elegantemente vestidas, um DJ a seleccionar sequências de tons em registo lounge e chill-out, uma parede forrada a garrafas de vinho e uma outra parede oposto forrada a xisto. A luz está suave e apesar da sala cheia, o ambiente não está ruidoso e a conversa flui na mesa sem grandes interferências das mesas em redor.

A carta é uma mescla de escolhas, embora a predominância recaia em ofertas de cozinha italiana, existem diversas ofertas da cozinha lusa.

O percurso pela carta faz-se com a companhia de caipirinha, e embora as massas frescas sejam sempre um apelo forte, a escolha acabou por recair sobre um Naco de Carne de Angus Argentina com 270 gr. guarnecida com esparregado e batatas fritas em rodelas. A humedecer a carne o tradicional molho argentino chimichurri. A carne chegou à mesa, mal passada a pedido, com aspecto insuperável. O toque de boca correspondeu aquilo que se pode esperar de uma carne argentina – suculência, gosto, maturação e textura. Na guarnição, o esparregado apresentou variante que desconhecia, as nabiças estavam maceradas em vez de trituradas ou moídas como habitualmente. Agradável.

No copo, apresentava-se o versátil e acessível Esteva Douro da Casa Ferreirinha. Cumpriu o desafio de acompanhamento à carne, sem desmerecimento.

Apresentada a carta de sobremesas, ali estava na terceira linha, em apelo urgente, Pudim Abade de Priscos. Sem qualquer tipo de resistência, entreguei-me à sua escolha – sem arrependimento. O Pudim mostrou-se como se quer doce, no limiar do enjoativo, mas rico no sabor e entregando aquela pequena sensação de arrependimento sobre a consciência cerebral de que as artérias estão em fustigo absoluto. Mas apanhar Abades de Priscos nas ementas é avistamento raro e o corpo bem pode, de quando em vez, ser sujeito a martírios tão deliciosos.

O serviço é um reflexo da casa – elegante, expedito, discreto mas deveras atencioso.

Há experiências que se recomendam com vivacidade e convicção. Pena que para voltar a este espaço seja preciso fazer mais de 300 km. Mas há coisas que precisam de se fazer merecer, e saber fazer-se esperar, para possam ser apreciadas com a devida solenidade e vénia.

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