Outono

Andas aí a preparar a chegada há algumas semanas.

Devolves as vidas à regularidade e arrumas no devido lugar os devaneios do calor passado. Tudo recomeça.

Empacotas os dias em quantidades mais pequenas e trazes uma pequena aragem fria ao fim da tarde. Ainda assim não te escusas a afagar a tez da face pondo um pouco de luz e calor nos raios de sol do meio-dia. Eu sei que ainda vais trazer mais coisas…

Os tapetes de folhas secas batidos pelos ventos, com múltiplas tonalidades de castanhos, vermelhos e amarelos. As névoas ao fim da tarde complementadas pelos fumos das lareiras e dos fogões. As uvas e o vinho novo. As aguardentes e as broas fervidas.

Metes as brasas na lareira para golpear, salgar e agitar dezenas e dezenas de castanhas no púcaro. E distribuis por todos que estão a partilhar contigo o conchego das labaredas.

Aparecem os sobretudos quentes a dar agasalho e o ar frio a fazer-nos sentir vivos. Chegam as azeitonas – a apanha, a carga e o intenso, mas tão vivo, aroma dos lagares –  que culminam na primeira prova, naquele primeiro bacalhau que é temperado com o nosso azeite, o nosso.

Dás boas vindas aos Finados e preparas a chegada do Natal.

Já estava com saudades tuas. Sê bem vindo mais uma vez.

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