Archive for Maio, 2009


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loureirovssocratesVia Blasfémias

Três Décadas

Depois de 9 meses de gestação e depois de sujeitar uma paciente e sofredora Mãe a 12 horas de trabalho de parto, nascia a 19 de Maio de 1979, Luís Filipe dos Santos Gonçalves.
Como qualquer outro bebé, acabado de sair do conforto do ventre materno, esboçou o seu protesto com berreiro e lágrima a chegada à vida exterior.
A balança ponderou o seu peso com 4,200 kg. Esta marca predestinou uma existência futura dada a excesso de quilogramas em instrumentos de avaliação de peso.
Fazer uma incursão escrita no passado destes 30 anos daria um documento bem robusto que poderia assumir os contornos de pequena biografia.
Talvez quando os 40 chegarem haja paciência e disposição para se produzir toda essa lavra.
A chegada aos 30 assume alguma gravidade. Surge uma pequena preocupação de procurarmos a cumplicidade por quem já lá passou e nos diz que nada há a temer.
Parece ser também a marca etária que nos diz que começa a ficar tarde para certas coisas.
Sem fatalismos mas com a pequena preocupação de indicar, que se queremos cumprir todos os papéis sociais e pessoais que a sociedade predestina para alguém, é altura de os meter em braços.
Fazer 30 anos é descobrir-se no tempo. Como uma árvore que foi abatida e contar os anéis do seu tronco.
Perceber as boas e as más fases, verificar as épocas de maior crescimento e estagnação. É a chegada ao primeiro grande patamar.
E mais importante do que se olhar para trás é olhar em frente, e de frente, e perceber o que se quer fazer pelas próximas décadas.
Não é fácil chegar aos 30. Até porque há deles que nunca lá chegam. Porque fazer 30 não é para qualquer um. É preciso fazer a ponderação do que passou e do que se quer, com tranquilidade e serenidade. Olhar o passado com respeito pelas pessoas e acontecimentos que o atravessaram e gratidão por tudo o que esse tempo trepassado apresentou. Em três décadas percebe-se que quem olha o seu passado com desdém e pouca deferência caminha para a vivência de futuros adiados.
Ter noção das perspectivas, das limitações e das virtudes. Pesar, ponderar, considerar e decidir. Com conhecimento, madureza e discernimento.
Mais importante do que balançar o que aconteceu desde 19 de Maio de 1979 até 19 de Maio de 2009, é perceber o que importa fazer para que se possa encarar a vida com motivação, encanto e esperança. Fica a maior e mais útil lição destes primeiros 30 anos; manter bem junto a nós quem sabe rir e sorrir de nós e connosco.
Obrigado a todos vós!

“Não temos grandes pretensões de parecermos aquilo que não somos.”

Descubra as diferenças…

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“O que eu quero fazer é o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi parar a Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim?
Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à minima merdinha entram “em diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bioecológica da camaradagem. A paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromisssos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o medo, o desiquilíbrio, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho” sentimental.
Amor é amor. É essa beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor é para nos amar, para levar-nos de repente ao céu, a tempo de ainda apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor á uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma conveniência assassina.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que se quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha –é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.. Não se pode ceder, não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

CARDOSO, Miguel Esteves, ”Último Volume”, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001

Estamos a tratar de tudo isso.

Experiência madrilena que se preze, tem de ter à mesa uma rácion de boquerones.
boquerone-en-vinagre

40000_lastfm

Quase a fazer dois anos de registo na plataforma LastFM chego à bonita marca das 40.000 músicas ouvidas e recolhidas pelos colectores estatísticos do serviço. Bonita marca, que cauciona o enorme deleite que tenho pela audição de música, confimando a Música como um dos meus maiores prazeres desta existência.

Adenda: se cada música tiver em média 3:00, esta marca corresponderia a cerca de 83 dias consecutivos a auditar coordenadas sonoras.